Em uma discussão sobre a presidente ou presidenta, a resposta rápida é que ambos os usos são válidos, mas o cenário está mudando. Hoje, a forma inclusiva “presidenta” ganha espaço em discursos, legislações e até na preferência de muitas pessoas, enquanto “presidente” segue como neutralidade gramatical tradicional. A seguir, comparamos esses dois usos em diferentes dimensões para ajudar a entender quando cada um faz sentido e qual escolher em cada contexto.
Uso gramatical e regência
A principal diferença entre “a presidente” e “a presidenta” está na regência e na concordância. Ambos são usados como forma de tratamento e substituto de “Sr.” ou “Sra.”, mas a escolha da forma nominal pode seguir regras de concordância com artigos, adjetivos e pronomes. Veja a comparação direta na tabela abaixo.
Tabela: Comparação de regência e exemplos de uso
| Forma | Regência típica | Exemplo com artigo | Exemplo com adjetivo |
|---|---|---|---|
| a presidente | Artigo ou pronome masculino ou neutro | O(a) presidente | O(a) excelente presidente |
| a presidenta | Artigo ou pronome feminino | A presidenta | A excelente presidenta |
Na prática, “a presidente” pode ser usado como forma neutra em contextos oficiais que ainda não adotam a inclusão de gênero, enquanto “a presidenta” reforça explicitamente a feminilidade. A regência costuma ser a mesma, mas a escolha da forma nominal comunica uma posição em relação à visibilidade de gênero.
Contextos institucionais e jurídicos
Em instituições e legislações, a preferência por uma forma ou por outra pode indicar compromisso com a representatividade. Em órgãos públicos, tribunais e sindicatos, por exemplo, a escolha entre “presidente” e “presidenta” muitas vezes segue diretrizes internas ou leis de igualdade de gênero. Abaixo, resumimos os principais contextos e como eles tendem a se posicionar.
Onde “presidenta” aparece mais
- Em conselhos e assembleias com maioria de mulheres
- Em legislações e portarias que priorizam a linguagem inclusiva
- Em discursos e manifestações que reforçam a liderança feminina
Onde “presidente” ainda é predominante
- Em textos oficiais tradicionais e documentos longos sem atualização de gênero
- Em contextos formais que priorizam neutralidade gramatical
- Quando a referência é a cargo e não à pessoa específica
Preferência de público e percepção
A forma como as pessoas recebem “presidente” ou “presidenta” varia conforme cultura, geração e região. Pesquisas e debates mostram que muitas mulheres que ocupam cargos de liderança veem a forma “presidenta” como um reconhecimento visível de sua trajetória. Por outro lado, há quem prefira a neutralidade de “presidente” por entender que o cargo deve ser associado à pessoa, não ao gênero. A seguir, listamos pontos que costumam influencinara preferência de público.
Vantagens de usar “presidenta”
- Visibilidade e reconhecimento da liderança feminina
- Alinhamento com políticas de igualdade de gênero
- Empoderamento simbólico e inspiração de novas lideranças
Vantagens de usar “presidente”
- Neutralidade gramatical tradicional
- Foco na função e no mérito, não no gênero
- Adequação a contextos formais consolidados
Diretrizes para uso em comunicações
Na hora de escrever, falar ou nomear alguém no cargo, siga algumas diretrizes simples. Primeiro, observe o contexto: instituições com políticas de diversidade tendem a preferir a forma inclusiva. Segundo, priorize o que a pessoa usa ou pede, se for possível perguntar. Terceiro, em textos oficiais que não especificam, opte pela forma que respeite a identidade de gênero da pessoa ou, na dúvida, use a estrutura neutra sem alterar a titularia (“a presidente em exercício” ou simplesmente “a presidência”).
Dicas práticas
- Em comunicações internas, alinhe-se à norma institucional adotada
- Em apresentações, use a forma que a liderança prefere
- Evite mudanças de estilo no mesmo texto; seja consistente
- Considere usar parênteses em primeiras menções se a regência for ambígua: “a (presidente/presidenta) Dilma”
Recomendação final
A escolha entre “a presidente” ou “a presidenta” depende de contexto, público e da postura da instituição ou pessoa envolvida. Se a prioridade é visibilidade e empoderamento, prefira “presidenta”. Se a neutralidade tradicional ou o contexto formal predominante forem mais importantes, “presidente” pode ser a opção adequada. Em geral, o mais importante é usar a forma que respeite a identidade da pessoa e as diretrizes de igualdade de gênero daquele espaço.
Perguntas frequentes
Pergunta: Posso usar “a presidente” e “a presidenta” na mesma apresentação?
Evite alternar entre as duas formas na mesma apresentação; escolha uma e mantenha a consistência para não confundir o público.
Pergunta: E quando a pessoa não se identifica como feminina nem como masculina?
Nesse caso, use a forma neutra “presidente” ou a estrutura que a pessoa indicar, evitando pressupor gênero.
Pergunta: Posso usar “presidente” para qualquer pessoa, sem mencionar gênero?
Sim, “presidente” serve como forma neutra e é amplamente aceita, mas em contextos que priorizam a igualdade de gênero, “presidenta” pode ser mais apropriada.
Pergunta: Existe regra oficial para uso de “presidenta” em documentos jurídicos?
Não há regra única; muitos tribunais e órgãos atualizam suas normas de linguagem inclusiva, então verifique o regimento interno ou orientações da casa civil.